Com o tempo

27 11 2007

Fichem os autografados, fechem os portões. Sejam todos sem hábito ou direções. Que se pode dizer da astúcia? Que se pode falar da maldade? Nada se encontra a uma distância tão longe assim do tempo. Sintomático. Revelento. Crisianálico. Encrescimento. Desordenado com rendimento ótimo. Senhordenado a matar o tempo.

Aflige os ossos. Esquenta o chão. Varredor de ventos.

Flutua a dor no ar do tempo.

Acuador no espaço, do lado onde anseio Ungüento.

Das casas loucas. Dos postes pálidos. Das ruas soltas. O padre fausto.

De antemão. De perrastejo. Com gratidão. Ambi-desejo.

Separem pernas. Curtêem o pasto. Com saque; velas e candelabros.

Às mãos, não mais. Ao chão. Não volta. Traz.

O fim, descala. Assim, se cala. Confuso. Indistinto.

Estômagos. Famintos por sede humana. Falidos pela gana. E nada mais…

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Início « Ato Falho

21 09 2007




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16 06 2007




Um imbecil e o deficiente mental

5 06 2007


A noite é fria e chuvosa. O bar dos artistas, ao lado do Teatro Santa Rosa, está inóspito. Mesmo assim, os “flanelinhas” seguem abordando quem chega para estacionar o carro na avenida PÚBLICA.

Eles cobram de “3 a 5 real”. A surpresa é tamanha que o dono do automóvel não sabe se paga ou se manda o infeliz ao quinto dos infernos. E não adianta querer retirar o carro dali e colocar na frente da praça, por exemplo, por que o local já foi delimitado, devidamente cercado e vijiado por um sentinela que, apesar de aparentar ter problemas mentais, sabe muito bem o valor que deve cobrar aos “fregueses”. A abordagem funciona mais ou menos assim: ao chegar, o cidadão é logo surpreendido por um baixinho que fala alto e rebuscado, “boa noite meu querido. Olhe, inclusive a gente ta pedindo a contribuição adiantado. A gente ta pedindo de 3 a 5 real pra quem ta vindo curtir aí a festa”. No caso de uma possível recusa do dono do carro, o mesmo é surpreendido por essa, “você pode deixar o carro aí, mas fica por sua conta. A gente pode fazer nada se acontecer algo”, traduzindo, ou paga ou o carro não vai estar aqui quando você voltar.

O local, que é cercado pelo Batalhão da Polícia Militar e pelo Quartel da PM, está funcionando como uma pequena empresa dirigida por um imbecil e um deficiente mental. O lucro é muito bom em noites de show no Bar dos Artistas. A farra parece não ter prazo para acabar e a indignação das pessoas que freqüentam o lugar começa a ganhar ares de revolta.

Quem vai ter que falar no assunto pare que se torne visível às autoridades ou a alguém de direito? Sim, por que falando assim parece brincadeira – só que de muito mau-gosto.





Sexo…Sexo…Pó…Sexo e sexo!

19 05 2007

Sexo, sexo, sexo… Pó… Sexo e sexo!

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Todos “sexam”. Transar está em desuso. Cheirar é cult. Tudo parte do grotesco. O tema do 3º Cineport, festival de cinema que reúne produções dos países de língua portuguesa realizado na cidade, parece ser mesmo o grotesco. Filmes como Fúria e A concepção — só para citar os mais empenhados — abusam do escárnio, do tratamento escatológico dado ao cotidiano. O ridículo ganha espaço no terreno da realidade tratada pelos roteiros, possíveis ganhadores dos prêmios oferecidos pelo festival.

O curta-metragem Fúria, ficção de Marcelo Laffitte (Brasil), em especial, chama a atenção pela performance. Os atores iniciam um ritual de autofagia, regado a heroína e sexo, em meio a citações filosóficas. Os Deuses e semideuses gregos são exaltados, o que serve de trilha para o estupro concedido que se desenrola. Uma relação bizarra em que “ele” parece ser o cafetão que ama sua única puta. Já “ela”, depois de ser violentada com amor, vai para a rua. Para a lida. A noite reserva diversão, sexo e drogas. Ela sustenta o vício. Volta sempre para casa com mais pó e seringas novas. A poesia paira no ar como vapor resultante da transpiração daqueles corpos que exalam alcalóides e morfina sintetizados. Suor podre e cheiro de carne suja. Por fim, e não menos clássico, ela se afoga no próprio vômito tendo que engolir aquilo que acabara de rejeitar. Poesia em forma de lixo.

Parece ser uma tendência da produção cinematográfica brasileira nos últimos anos, retratar de forma crua a realidade como ela acontece de fato. Um verdadeiro movimento vanguardista, levado à cabo por nomes que ebulem no mercado. Deles, Fernando Meirelles talvez tenha sido responsável por um marco no cinema nacional que foi o filme Cidade de Deus. O longa levou o lado negro, em todos os sentidos da palavra, dos morros cariocas às telas do mundo inteiro. Ficção-realidade para inglês ver. Uma obra que assusta pela violência que retrata, e da qual a maioria dos brasileiros tem conhecimento. Mas que quando jogada na face causa engodo e mal-estar.

Para que não fiquem dúvidas sobre o tipo de crítica que é aqui escrita, adianto que tal movimento (a que me referi como de vanguarda) é digno de aplausos. A vida deve ser — salvo belíssimas exceções — retratada como ela é. Mas talvez, não mais que talvez, o vírus da moda já tenha infectado esse tipo de produção. Tantas substâncias e tanto sexo juntos formam uma mistura explosiva, que é apreciável até pouco antes de explodir. A força com que se está retratando estes temas acaba por causar asco naqueles que vão ao festival em busca de algo fantástico. Estaremos fadados ao cinema local ? Conseguirá o homem-aranha atender a nossas necessidades ? A boa e velha ficção está sendo patenteada por Hollywood (a que não é nordestina) ? Afinal, assistir em ordem seqüencial mulheres alucinadas afogando-se em vômito ; homens transtornados fazendo sexo a três em alguma boite da zona ; irmãs desajustadas que transam na banheira, enquanto a mãe assiste a televisão na sala, depois de uma noite de orgias ; meninas que relatam suas fantasias sexuais em diários pessoais, e senhoras completamente chapadas que não falam nada com nada, não pode ser — nem é — tão agradável assim. Ao que parece, a criatividade deu lugar à mediocridade do real.

 





Estômago & Sexo No caminho até o q…

14 05 2007

 

 

 

Estômago & Sexo

 

 

 

No caminho até o quarto do Texas Hotel, o cheiro do almoço, que pode ser qualquer coisa para acompanhar a carne, invade as narinas embriagadas do Sr. Isaac… Essa e outras seqüências do filme Amarelo manga, de Cláudio Assis, causam sensações fortes naqueles que assistiram a obra.

 

Um trecho da crônica do autor Renato Carneiro Campos retrata bem a amarelidão do cenário: “Amarelo é a cor das mesas, dos bancos, dos tamboretes, dos cabos das pexeiras, da enxada e da estrovenga. Do carro de boi, das cangas, dos chapéus envelhecidos, da charque. Amarelo das doenças, das remelas dos olhos dos meninos, das feridas purulentas, dos escarros, das verminoses, das hepatites, das diarréias, dos dentes aprodecidos… Tempo interior amarelo. Velho, desbotado, doente.” O filme é amarelo. Sim. Literalmente Amarelo. Em todas as cenas, deixa transparecer o amarelo do fim de tarde de Recife. O mormaço do fim do dia. A palidez daquele pessoal. A carne é o fio que liga os diversos tipos de personagens e suas rotinas. Aquilo que traz à tona a unicidade que faz de nós o que realmente somos, humanos! Estômago e sexo.

 

O sexo é forte. Às vezes, casual; outras, visceral. O filme retrata de forma crua todo o emaranhado de desejos, vícios, segredos e aspirações dos personagens. Revela, de uma perspectiva nova e instigante, a periferia a partir do que ela tem de peculiar. Tudo é exatamente o que parece ser à primeira vista. Nada fica embaixo dos panos, ou dos lençóis.

 

A reflexão existencial filosófica sobre o homem fica por conta dos “filósofos de boteco”, tão comuns em bares como o Esquina. As mulheres são fortes e decididas, como precisam ser. A morte vem como trágico fim, mas também como início de um novo ciclo que virá a seguir pelas mesmas vielas amareladas de Olinda. Ao final, todos se encontram para o jantar. A comida é posta na mesa, e a conversa é posta em dia. Tudo num tom amarelo, um amarelo-manga.