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Piaf

   Certo de não ter ouvido comentários do tipo, questiono qual o verdadeiro poder que o cinema tem sobre nós?  E não, não acho que erro ao falar em poder. Acho que esta relação é sobretudo imperativa. Um passeio sobre as águas mais calmas, mas que levam a maior das quedas. E isso tudo em pouco mais de duas horas. Com pausas que dependem do estado de espírito do espectador e da suavidade das transições de cenas.

    Não vejo como não ser invadido pela história. Desde que haja uma história. Desde que mereça ser contada. É impossível não ter sensações das quais só temos quando nós estamos atuando … falta de fôlego; arritmia; pânico; dor; amor; ódio … Enfim. Quando ficamos na mais anestésica passividade, como um bobo que serve de distração a um rei voluptuoso, aí sim somos presas fáceis. Lebres cegas no cerrado. Vagamos feito tontos para todos os lados. Somos jogados de um canto a outro na velocidade dos quadros em tela; pela mente do diretor; pela intensidade da obra. Contudo, temo em afirmar que é só aí que nos damos conta de que estamos no cinema. Que entramos ali direto da vida para fantasia. È aí que sentimos sua força, seu impacto. Quando acesas as luzes, um filme sobre Edith Piaf se encerra, e todos se levantam num misto de risos e lágrimas. Um turbilhão de emoções. Fomos arremessados na história de Edith. Uma verdadeira artista. A arte sendo mostrada em algumas de suas faces. A arte sendo revelada pela arte.

   Vejo-me no meio de tantas sensações que tento parar um pouco e sair disso tudo, mas sou rapidamente jogado de volta em alguma nostalgia ou premonição.  Escapo alguns minutos quando até o filme precisa respirar, e escrevo. Me falta papel, mas sobram as lentes e a luz … faço cinema … provoco sensações por minuto … preparo para o êxtase do final: the end. As palavras da atriz hora são de minha mãe, hora de um padastro. Outras horas, são de quem ainda não conheço. Ainda assim me fazem pensar. Pensar no que vou fazer quando sair daqui. Pensar no fim da história. Pensar em como vai ser a minha história lá fora daqui pra frente.

   Acho que só agora encontro um primeiro lampejo de resposta ao questionamento. Talvez a relação de poder aqui se dê entre os seres e a arte. É possível perceber a arte, até vivê-la, mas apenas para alguns foi permitido concebê-la. E é concebida em forma bruta, tendo que ser lapidada, quase sempre, pelo mais rijo dos ourives.  A arte trás consigo desprezo, ilusão, amor e ódio. Traz consigo o público; a vida. Não ouso em dizer que devo a vida aos verdadeiros artistas.   


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6 responses

15 06 2007
caio gomez

É tudo uma questão de quem vê …

19 06 2007
Rachel

uhh que gatcheenha

6 09 2007
caio gomez

– Dispensa comentários!
– Ouviu?!?

7 01 2008
jana

“Não vejo como não ser invadido pela história. Desde que haja uma história. Desde que mereça ser contada. É impossível não ter sensações das quais só temos quando nós estamos atuando … falta de fôlego; arritmia; pânico; dor; amor; ódio … Enfim. ”

Tambem não velho!! Cada segundo de Piaf é maravilhoso.. não tem como não chorar… é exatamente isso que vc falou aeeww
Texto legal… massa parabens!!

8 01 2008
caio gomez

valeu pela paciência de parar para ver um blog…e comentar nele… escrevi assim que saí do filme…axo q n é nem 1/5 do que senti…mas taí.

1 02 2009
Carolina P

Muito bom! Não assisti o filme, mas mesmo assim gostei. Vou ver se assisto até. Realmente, a arte tem um poder sobrenatural sobre – posso até dizer alguns de – nós, seres humanos. Ela nos contagia e nos leva a um mundo novo. Um mundo muitas vezes inátingivel. Um mundo mágico.
É, é a arte *-*

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